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  • Gi Scagnolatto

Desmistificando tubarões


Fim de tarde, o céu está quase roxo, o dia foi fantástico, um surfista longe da costa espera a onda perfeita, o sol se tornou uma bola gigante e laranja no horizonte, o mar está turvo. Subitamente um tranco violento puxa o surfista para fora da prancha, ainda sem saber o que aconteceu ele percebe que está envolto em seu próprio sangue, desesperado desconhecendo se o ferimento é grave, ele nada para chegar até a praia...

Esse é um exemplo típico de um relato de ataques de tubarões, na maioria das vezes as pessoas atacadas não sofrem graves ferimentos e nem chegam a ver o animal. Os poucos casos de agravamento resultam de uma hemorragia, demora no atendimento médico ou o choque causado pela situação. Seres humanos não são devorados por esses predadores, nós não estamos em seu cardápio, mesmo assim o medo de tubarões povoa nosso imaginário de maneira aterradora.


Em 2019, no mundo todo, ocorreram 64 ataques de tubarões sem que houvessem provocações das pessoas, nesse mesmo ano foram registrados 5 óbitos, esse número é inferior ao de fatalidades por ataque de cachorros, selfies são responsáveis por 5 vezes mais mortes que tubarões, segundo publicação no Jornal of Family Medicine and Primary Care. Mesmo com números tão pequenos de ataques, por que esses animais ainda aparecem em nossos sonhos e pesadelos? Para tentar entender melhor, vamos conhecer um pouquinho mais sobre esses impressionantes animais.

Os tubarões são extremamente capacitados sensorialmente; possuem uma espécie de sensor elétrico capaz de detectar o campo magnético dos organismos vivos. Seu olfato é muito apurado, permitindo identificar substancias bastante diluídas na água. Também possuem audição e linha lateral sensíveis a vibrações, facilitando a percepção de alimento. Os maiores predadores, podem chegar a 7 metros e pesar mais de 2,5 toneladas.

Ao contrário do que muitos pensam, nós seres humanos não estamos no cardápio deles. São carnívoros, porém sua dieta é composta por peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas e raias. Via de regra, os maiores predadores buscam por animais com alta quantidade de gordura, precisam de uma alta reserva energética para poder enfrentar períodos sem se alimentar, exemplos do “menu” são as focas, leões marinhos e outros pinípedes.


Os primeiros tubarões apareceram nos oceanos a cerca de 400 milhões de anos, mais de 150 milhões de anos antes dos dinossauros. Desde então, sofreram diversas mudanças ao longo do tempo e hoje existem cerca de 500 espécies, só no Brasil foram identificadas oitenta e oito. Assim como as raias, são peixes de esqueleto cartilaginoso. Ocupam todos os ambientes marinhos: recifes tropicais, águas temperadas costeiras, mar aberto e profundidades geladas do oceano.


Um estudo publicado esse ano na revista Nature avaliou 300 recifes em mais de 50 países e concluiu que os tubarões desapareceram em cerca de 60 dos recifes pesquisados, revelando ainda, que os locais mais afetados são os mais próximos de populações com práticas fracas de governança; por outro lado, os territórios com administração e governança fortes, como Austrália e Bahamas que possuem áreas onde a pesca desse animal é proibida, houve um aumento na abundância de tubarões de recife. Em diversos lugares eles já são considerados funcionalmente extintos, ou seja, já não desempenham um papel relevante para aquele ecossistema.


Os tubarões ajudam a manter as populações de peixes saudáveis, eles comem os indivíduos doentes, evitando propagação de doenças; além disso, são predadores do topo da cadeia alimentar e possuem o cardápio bem diversificado, podendo mudar sua fonte de alimento quando alguma presa se torna difícil de encontrar; dessa forma, eles auxiliam no equilíbrio nas populações, garantindo que não ocorra crescimento exponencial ou esgotamento de nenhuma espécie de suas presas. Remover um animal de topo da cadeia alimentar reflete em todo o ecossistema; os grandes predadores têm o poder de alterar a estrutura física do local em que estão, seu comportamento molda o comportamento dos herbívoros e as suas áreas de alimentação, a presença de tubarões afetará onde suas presas irão se colocar, podendo modificar o crescimento de plantas e corais da região.


São animais considerados vulneráveis, ao contrário da maioria dos peixes oceânicos que liberam milhões de ovos na vida, a estratégia reprodutiva deles é lenta; demoram para atingir a maturidade sexual, possuem longos períodos de gestação (um a dois anos), se reproduzem a cada dois ou três anos e geram pequeno número de filhotes. Dado que possuem poucos ou nenhum predador, não precisam reabastecer rapidamente o número de indivíduos; biologicamente essa estratégia reprodutiva funcionaria bem, entretanto a ação do homem está afetando substancialmente essa espécie.


Pesca excessiva é a maior ameaça para a existência continua dos tubarões. A demanda por nadadeiras, principal ingrediente da famosa “sopa de barbatana”, é um dos principais impulsionadores da pesca de tubarões; essa terrível prática, conhecida como shark finning, consiste na captura do animal, remoção das nadadeiras e descarte do resto do corpo ainda com vida no mar para morrer de modo lento e doloroso. Estima-se que 100 milhões de tubarões são mortos por ano, sendo 73 milhões só para preparar a sopa.

A demanda por carne de tubarão, também conhecida como ‘cação’, é forte e levou ao sério esgotamento de várias populações de tubarões. O Brasil encontra-se em 13º na lista dos 20 principais países que mais matam tubarões. A pesca acidental e por lazer também são representativas; a cada minuto, 190 tubarões morrem pela pesca comercial ou lazer. Atualmente cerca de 30% das espécies estão presentes na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da IUCN – International Union for the Conservation of Nature.

O que muitas pessoas não sabem é que comer cação, carne de tubarão, pode apresentar grandes riscos à saúde. Na natureza ocorre o processo denominado biomagnificação que representa o aumento da concentração de substâncias químicas conforme subimos o nível na cadeia alimentar. Compostos e outras substâncias tóxicas, como mercúrio, tendem a se acumular nos tubarões e ao ingerir sua carne, consumimos possíveis substâncias maléficas.


Encontrar um tubarão em um mergulho é algo mágico, a perfeição de suas linhas, de seus sentidos e seu comportamento são fascinantes! Alguns cuidados são necessários, mas sabendo agir bem embaixo d´água, apresentando um bom controle de flutuabilidade e acima de tudo o respeito pela vida marinha, podem nos proporcionar experiências inesquecíveis!

Um tubarão morto, só se vende só uma vez, mas quantos mergulhadores fariam de tudo para poder estar embaixo d´água com esses seres magníficos?


Gostou? Deixe seus comentários abaixo, conte pra gente como foi sua experiência com esses incríveis animais! Quer também mergulhar com tubarões? Vem com a gente respirar embaixo d'água!



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