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  • Gi Scagnolatto

Recifes de coral e os seres humanos

Atualizado: Mar 23


Nosso planeta é único no universo, ele possui um oceano que é fonte de vida e da gigantesca biodiversidade; o oceano absorve cerca de 1/3 do gás carbônico que lançamos na atmosfera e produz mais da metade do oxigênio que respiramos. É a principal fonte de sustento e alimentação para mais de 3 bilhões de pessoas.

Infelizmente a grande maioria das pessoas que habitam nosso planeta, não conseguem enxergar a relação de dependência e a importância desse ecossistema para nossas vidas, não estão cientes de como suas atividades impactam o oceano e não sentem que necessitam se preocupar com ele.


Vamos falar sobre os recifes de coral, essenciais para manutenção da vida marinha, além de formarem o ecossistema com maior riqueza e abundância de espécies. Os recifes coralíneos ocupam 30% das regiões costeiras tropicais, com destaque para a grande barreira de corais na Austrália com 2.000 km de extensão, é a única estrutura viva que pode ser vista do espaço.


Corais são animais parentes das anêmonas e águas-vivas, possuem um esqueleto interno e uma camada de tecido formada por pólipos. Conforme crescem expandem seu esqueleto formado por carbonato de cálcio. Um único coral é feito de milhares destas pequenas estruturas chamadas pólipos, eles possuem uma abertura com muitos tentáculos no entorno. Muitas espécies de corais, juntas, depositando seus esqueletos por diversas gerações forma os recifes de coral.


Dentro de seus tecidos possuem pequenas algas, as Zooxantelas, essa associação de simbiose é muito importante para ambos, as microalgas oferecem nutrientes que servem como principal fonte de alimentação para os corais, por sua vez, os corais proporcionam abrigo e elementos químicos necessários às Zooxantelas; como o gás carbônico e compostos nitrogenados que são utilizados em seus processos metabólicos. A coloração dos corais é dada pelas microalgas que os habitam, quando um coral não possui mais esses organismos eles ficam brancos.


Esses magníficos seres são importantíssimos, cobrem menos de 1% do assoalho oceânico, no entanto, 25% de toda a vida marinha depende deles para alimento, abrigo e proteção. O colapso dos recifes de coral é um enorme risco para diversas espécies, inclusive para milhões de seres humanos que têm esses locais como fonte de alimento e renda. Os recifes de coral, por sua estrutura rígida e resistente, formam barreiras naturais que absorvem a força das ondas e tempestades, mantendo comunidades costeiras seguras.

Mesmo como toda essa relevância, nós seres humanos estamos contribuindo para a extinção desse ecossistema, nos últimos 30 anos perdemos 50% dos corais do mundo, e se nada for feito, nas próximas décadas não existirão mais corais. Vamos entender o que é o tal de efeito do branqueamento dos corais que tem devastado muitos recifes.


Os corais são animais sensíveis a variações de temperatura, salinidade, turbidez, etc. Quando passam por uma situação estressante, eles expelem as algas perdendo sua coloração e exibem seu esqueleto calcário branco - é o que chamamos de branqueamento do coral. É uma resposta à perturbação, como a febre nos humanos, eles expulsam as algas de seu corpo como se algo não estivesse os fazendo bem, igual ao nosso organismo reage quando temos uma bactéria e tentamos eliminá-la rapidamente.


Os corais podem sobreviver ao branqueamento, desde que o período das condições adversas não seja prolongado; podem associar-se com outras microalgas novamente, porém sob período de estresse ficam vulneráveis, sem alimento e sujeitos à mortalidade. Quando o coral branco, ele ainda está vivo, mas "doente", não crescerá e não se reproduzirá. Caso essa situação perdure o coral passa a apresentar uma aparência felpuda, com algas o envolvendo, é indicio que o coral morreu.

Você deve estar se perguntando “mas o que eu tenho a ver com essas variações que ocorrem no oceano?” Temos total responsabilidade nesse processo, desde pequenas ações individuais até ações globais.


Algumas ações globais que causam distúrbios nos recifes de corais: desenfreada queima de combustíveis fósseis e o desflorestamento contribuem para o aumento de gases de efeito estufa, como por exemplo o gás carbônico, esse elemento ao se dissolver na água do oceano, promove a acidificação. O dióxido de carbono também leva ao aquecimento global e, consequentemente aumento da temperatura do oceano.


Nós vemos o aquecimento global como se fosse um tema relacionado somente a atmosfera. Uma pequena variação de 1ºC realmente importa? Essa mudança de temperatura associada ao oceano, implica na alteração de temperatura ou controle térmico de todos os seres que vivem nos mares e com o tempo pode ser fatal. Para os corais, a variação de 1 ou 2 graus, já é suficiente para expulsar as algas de seu interior e sem corais vivos, muitos dos habitantes dos recifes morrerão.


Além do impacto global também somos responsáveis por outras ações que causam danos irreversíveis nos corais: despejo de matéria orgânica como esgoto doméstico e industrial, contaminação das águas através de agrotóxicos e outras substancias, destruição da mata ciliar aumentando sedimentos que vão para o mar e a sobrepesca retirando animais essenciais para o equilíbrio desse ecossistema.

O primeiro grande evento de branqueamento ocorreu no início dos anos 80; em 97 e 98 foram os primeiros branqueamentos em massa em escala mundial; em 2012 ocorreu o segundo branqueamento em escala mundial; em 2016, 29% da grande barreira de corais da Austrália já estava morta. No Brasil também estamos lidando com o branqueamento e morte dos recifes de coral.



Sem uma ação urgente para lidar com as mudanças climáticas, poluição, pesca predatória e desenvolvimento costeiro destrutivo, teremos a destruição completa dos recifes de coral.


E você tem feito alguma coisa para mudar essa situação? Conte pra gente nos comentários, e compartilhe esse texto em suas redes sociais.



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