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Oceanos de plástico: muito mais que canudos, sacolas e glitter

Atualizado: 4 de Mai de 2020


O problema


Estima-se que cerca de oito milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todo ano, e os impactos do lixo marinho na vida marinha vão muito além de canudos entupindo narinas de tartarugas. O plástico pode afetar a vida dos animais marinhos de muitas formas:

  • Ingestão - muitas vezes o espaço ocupado pelo plástico no estômago do animal o impede de continuar se alimentando e defecando, além de gerar implicações hormonais e reprodutivas. Um bom exemplo aqui é a pesca fantasma, que são equipamentos de pesca abandonados no mar e que continuam a “pescar” a vida marinha indefinidamente, pois o animal fica preso a redes ou pedaços de plástico ficam presos ao corpo do animal e o impedem de caçar, comer, fugir de predadores, etc., além de poderem gerar feridas e infecções e aumentarem o gasto energético para migrações;

  • Danos a habitats - o lixo plástico em um recife de corais pode destruir grande parte da estrutura física do recife;


  • Transporte de espécies invasoras que se incrustam em partículas flutuantes e são levadas a novos locais onde, antes, não existiam, e agora passam a causar problemas para as espécies locais;

  • Acúmulo de detritos no fundo do mar, o que inibe as trocas gasosas entre as camadas da coluna d’água e o sedimento, resultando em pouca disponibilidade de oxigênio e consequências graves para as espécies que ali habitam;

  • Partículas de plástico podem ainda, absorver poluentes e contaminar cadeias alimentares marinhas, acabando por intoxicar muitos organismos, incluindo os seres humanos;

  • O plástico também faz mal pra gente! O uso de plástico no cotidiano tem sido vinculado a desequilíbrios hormonais, câncer, aborto, infertilidade entre outros publicados em uma enorme lista na literatura científica.


De onde vêm os plásticos nos oceanos?


Será que a culpa é só das pessoas que jogam lixo na praia? 

Estima-se que cerca de 80% do lixo marinho vem de fontes continentais, rios e esgotos, perdas durante manuseio no transporte, escoamento a partir de aterros sanitários, incluindo a ação humana em praias e etc. Os 20% restantes vêm de equipamentos de pesca, navios e barcos.


E o tal do microplástico? Menor que 5mm de diâmetro, pode ou ser produzido pequeno pelas indústrias (como o glitter ou pequenas bolinhas de limpeza presentes no sabão em pó), ou ser gerado a partir da quebra de partículas maiores em contato com o vento, ondas, sol, etc. Todo plástico, um dia, se tornará microplástico, e inclusive continuará absorvendo poluentes e liberando toxinas para sempre. 

O microplástico já foi encontrado na água potável do mundo inteiro, no gelo polar, nos alimentos, na atmosfera, em animais da base da cadeia alimentar e no sal. Comemos e bebemos plástico, usamos plástico em nossas roupas (fibras sintéticas como poliéster e nylon são plástico!). Ele também está escondido em embalagens e cosméticos sob os nomes mais estranhos, como esfoliantes e outros cosméticos que contêm polietileno ou polipropileno.