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Oceanos de plástico: muito mais que canudos, sacolas e glitter

Atualizado: Mai 4


O problema


Estima-se que cerca de oito milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todo ano, e os impactos do lixo marinho na vida marinha vão muito além de canudos entupindo narinas de tartarugas. O plástico pode afetar a vida dos animais marinhos de muitas formas:

  • Ingestão - muitas vezes o espaço ocupado pelo plástico no estômago do animal o impede de continuar se alimentando e defecando, além de gerar implicações hormonais e reprodutivas. Um bom exemplo aqui é a pesca fantasma, que são equipamentos de pesca abandonados no mar e que continuam a “pescar” a vida marinha indefinidamente, pois o animal fica preso a redes ou pedaços de plástico ficam presos ao corpo do animal e o impedem de caçar, comer, fugir de predadores, etc., além de poderem gerar feridas e infecções e aumentarem o gasto energético para migrações;

  • Danos a habitats - o lixo plástico em um recife de corais pode destruir grande parte da estrutura física do recife;


  • Transporte de espécies invasoras que se incrustam em partículas flutuantes e são levadas a novos locais onde, antes, não existiam, e agora passam a causar problemas para as espécies locais;

  • Acúmulo de detritos no fundo do mar, o que inibe as trocas gasosas entre as camadas da coluna d’água e o sedimento, resultando em pouca disponibilidade de oxigênio e consequências graves para as espécies que ali habitam;

  • Partículas de plástico podem ainda, absorver poluentes e contaminar cadeias alimentares marinhas, acabando por intoxicar muitos organismos, incluindo os seres humanos;

  • O plástico também faz mal pra gente! O uso de plástico no cotidiano tem sido vinculado a desequilíbrios hormonais, câncer, aborto, infertilidade entre outros publicados em uma enorme lista na literatura científica.


De onde vêm os plásticos nos oceanos?


Será que a culpa é só das pessoas que jogam lixo na praia? 

Estima-se que cerca de 80% do lixo marinho vem de fontes continentais, rios e esgotos, perdas durante manuseio no transporte, escoamento a partir de aterros sanitários, incluindo a ação humana em praias e etc. Os 20% restantes vêm de equipamentos de pesca, navios e barcos.


E o tal do microplástico? Menor que 5mm de diâmetro, pode ou ser produzido pequeno pelas indústrias (como o glitter ou pequenas bolinhas de limpeza presentes no sabão em pó), ou ser gerado a partir da quebra de partículas maiores em contato com o vento, ondas, sol, etc. Todo plástico, um dia, se tornará microplástico, e inclusive continuará absorvendo poluentes e liberando toxinas para sempre. 

O microplástico já foi encontrado na água potável do mundo inteiro, no gelo polar, nos alimentos, na atmosfera, em animais da base da cadeia alimentar e no sal. Comemos e bebemos plástico, usamos plástico em nossas roupas (fibras sintéticas como poliéster e nylon são plástico!). Ele também está escondido em embalagens e cosméticos sob os nomes mais estranhos, como esfoliantes e outros cosméticos que contêm polietileno ou polipropileno. 


O que fazer, então?


Sobre as novas alternativas de plásticos biodegradáveis, ainda há debate sobre em quais condições eles se degradam, pois muitos precisam de condições industriais específicas como altas temperaturas e ação microbiana para se degradarem. Uma sacola ''biodegradável'' enterrada hoje possivelmente ainda estará intacta daqui a alguns anos, pois pode não sofrer as condições ambientais adequadas para que se ‘‘biodegrade’’. Quanto ao plástico ‘‘oxibiodegradável’’, são colocados aditivos neste tipo de plástico para que ele se quebre mais rapidamente em microplástico.

Sobre a reciclagem, vale dizer que:


  • Nem todo tipo de plástico é reciclável e cada local tem seus limites a depender das tecnologias disponíveis e da presença ou não de coleta seletiva adequada;

  • Quando por exemplo uma garrafa é reciclada, ela não irá gerar outra garrafa, mas sim um produto de valor e qualidade inferior, pois o plástico vai perdendo sua qualidade ao ser reciclado, o que faz com que não seja possível reciclar o mesmo plástico para sempre.

Plástico, em sua origem grega, significa ‘‘próprio para ser moldado’’. E moldou mesmo... moldou nossas embalagens, nossos carros, nossas roupas, nossas tecnologias, nossa comida. Em nossa sociedade plástica, o modo como nos relacionamos está intrinsecamente ligado ao modo como produzimos nossos produtos e como ainda nos relacionamos com eles.

Além de estarmos cientes de todos os problemas envolvidos com o tema, é preciso ainda reduzir nosso impacto pessoal e social em relação ao assunto. Reduzir, reusar, reutilizar, repensar e por fim reciclar são ótimas alternativas, especialmente se aliadas com práticas mais conscientes sobre seu impacto sobre outras questões como a pesca e as mudanças climáticas, por exemplo. Ações a nível coletivo também devem ser consideradas: responsabilidade empresarial envolvendo logística reversa, incentivos econômicos e regulamentação governamental adequada, integração com a área da saúde, iniciativas de educação ambiental a curto e longo prazo, etc.


Sua cidade tem coleta seletiva? Se não, por quê? E aquele catador que tem um carrinho que pega latinha, será que não dava pra mobilizar um pessoal e pressionar as autoridades políticas pra expandir a ação e direitos de pessoas como ele? Banir canudos sem educar a população, de modo a fazer crescer o uso de copos plástico por exemplo, é a melhor solução?


E você? O que pode fazer sobre isso tudo? Deixa um comentário pra gente e conta um pouquinho mais de sua experiência em reduzir o uso cotidiano de plástico!

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